sábado, 24 de setembro de 2005

Análise: Todos de olho em 2006

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 23 de setembro de 2005 - O mandamento de que “toda política é local” está mais vivo do que nunca na disputa pela cabeça da Câmara dos Deputados. José Thomaz Nonô (PFL-AL) ganhou musculatura quando atraiu o apoio do PSDB e a simpatia do bloco PPS-PDT-PV. O fortalecimento de Nonô no carpete verde da Câmara acendeu a luz amarela no tapete azul da outra Casa. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é adversário político de Nonô em Alagoas. A vitória do pefelista embaralharia os planos de Renan, de olho no governo alagoano para si mesmo ou um aliado.
Renan reagiu. Estimulou o lançamento da candidatura de Michel Temer (PMDB-SP), que vinha murchando desde que o PSDB fechou o apoio a Nonô. Um dos principais articuladores de Temer é o baiano Geddel Vieira Lima (PMDB). O coordenador político do governo, Jaques Wagner, sonha com o governo da Bahia em 2006 e precisa do apoio do PMDB para enfrentar o grupo do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Trabalhou para fazer de Temer uma opção para Lula.
A Bahia é também o cenário de uma outra pendência, dessa vez no PFL. O líder da Minoria na Câmara, José Carlos Aleluia, é do PFL, mas disputa espaço político com o grupo de ACM. Aleluia liderou o PFL na remoção de Severino e foi cotado para sucedê-lo. Isso despertou receio em seus adversários carlistas baianos. Quando Nonô se consolidou, respiraram aliviados.
Mas a disputa baiana não é o único foco regional de tensão para o PFL na sucessão de Severino. O prefeito do Rio, Cesar Maia, adversário figadal do pré-candidato peemedebista, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho. Que é aliado estreito do presidente do PMDB, Michel Temer. O líder do PFL na Câmara é Rodrigo Maia (RJ), um dos maiores cabos eleitorais de Nonô.

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