quarta-feira, 21 de setembro de 2005

Análise: Jogo de dois, jogo de três

Alon Feuerwerker e Sandro Lima

Correio Braziliense, 20 de setembro de 2005 - PMDB, PSDB e PFL têm, juntos, 197 deputados. Devem passar de 200 nos próximos dias, com a engorda do PMDB, que vem recolhendo náufragos da base governista. Com mais 57, fazem o próximo presidente da Câmara. PPS, PDT e PV somam 37. Os 20 que faltam podem ser buscados nas dissidências do PSB, PP e PL ou numa aliança com o neo-oposicionista PTB de Roberto Jefferson. Não seria tarefa tão difícil assim.
Esse é o tamanho do problema de Luiz Inácio Lula da Silva. Se PSDB e PFL aderirem à pré-candidatura de Michel Temer (PMDB-SP) o governo estará em situação desesperadora. Para sorte de Lula, há setores tucanos e pefelistas que resistem a entregar mais poder ao PMDB. E o primeiro vice-presidente da Câmara, José Thomaz Nonô (PFL-AL), é candidatíssimo.
Com Temer na cadeira de Severino, o PMDB teria o comando das duas Casas do Congresso Nacional e três dos quatro nomes na linha de sucessão de Lula: o próprio Temer, o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim. O quarto é o vice José Alencar, que está a caminho de voltar à legenda, pela qual se elegeu senador em 1998.
O melhor cenário teórico para governo, PSDB e PFL é uma disputa entre três candidatos: um da situação, um da oposição e um do PMDB. Em princípio, todos estariam no jogo. Mas pode não acontecer. PT, PSDB e PFL só pensam em 2006. Enquanto isso, o PMDB vive um 2005 animador. Quando os demais acordarem, verão que criaram um monstro.

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