sábado, 24 de setembro de 2005

Aldo, o nome do Planalto

Lula entra na campanha para a presidência da Câmara e emplaca o ex-ministro da Coordenação Política como candidato dos governistas. Chinaglia, o escolhido pelos petistas, decidiu retirar o seu nome

Alon Feuerwerker, Rudolfo Lago e Sandro Lima

Correio Braziliense, 23 de setembro de 2005 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu entrar para valer na disputa pela sucessão de Severino Cavalcanti. Destacou para a difícil missão seu ex-ministro da Coordenação Política Aldo Rebelo (PCdoB-SP).
O martelo foi batido ontem à noite, na liderança do governo na Câmara dos Deputados. Arlindo Chinaglia (SP), candidato oficial do PT, retirou seu nome, que havia sido indicado pela bancada no dia anterior. Imediatamente, o líder do PT, Henrique Fontana (RS), sugeriu Aldo. O líder do PSB, Renato Casagrande (ES), disse que o candidato do partido, Beto Albuquerque (RS), também se retirava em favor de Aldo.
O líder do PMDB, Wilson Santiago, pediu um prazo para discutir com seus liderados, já que o partido lançara um dia antes o seu presidente, Michel Temer (SP). O mesmo fizeram os representantes do PL, do PP e do PTB.

Negociações
A decisão foi o produto de um longo dia de negociações. Antes, na quarta-feira, Lula havia confirmado ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que iria participar do jogo. “Eu aprendi a lição. Não vou ficar neutro como da outra vez”, disse Lula a Renan, referindo-se à sucessão de João Paulo Cunha (PT-SP), quando a divisão do PT e da base governista levou à vitória de Severino. Agora, um quadro de dispersão, com o surgimento de vários candidatos, leva ao risco de uma outro resultado imprevisível.
O encarregado da operação que levou ao resultado da noite foi o ministro Jaques Wagner. Ontem, ele reuniu-se com o próprio Aldo, com o líder do PTB, José Múcio Monteiro (PE), com Henrique Fontana e com os deputados Eduardo Campos (PSB-PE) e Paulo Rocha (PT-PA).
Antes de Aldo, o governo ensaiou convergir para o nome de Temer. O presidente do PMDB é do grupo que se opõe ao Planalto, mas conquistou o apoio do presidente do Senado pois o candidato da aliança PFL-PSDB, José Thomaz Nonô (PFL-AL), é o principal adversário político de Renan em Alagoas. As conversas em torno de Temer esfriaram depois que os ex-governadores Orestes Quércia (SP) e Anthony Garotinho (RJ) vetaram ontem qualquer entendimento com o governo.
PMDB, PL, PTB e PP mantêm boas relações com Aldo. Durante um ano e meio como ministro, ele travou longa e sangrenta luta com o PT para ampliar o espaço político dos aliados no governo. Renan é seu devedor desde que Aldo evitou que o governo patrocinasse a emenda constitucional que permitiria a reeleição de João Paulo e José Sarney (PMDB-MA). Fora do governo, reconciliou-se politicamente com o ex-ministro da Casa Civil e deputado federal José Dirceu (PT-SP) quando aceitou ser testemunha dele no processo que corre no Conselho de Ética por causa do escândalo do suposto mensalão.
Entre os petistas, porém, a impressão que ficou é que Lula optou por Aldo somente depois de ter percebido que Chinaglia não teria chances. Na reunião em que o PT optou por Chinaglia, na terça-feira, houve quem visse ali o dedo de Lula. “Você é o candidato do Planalto, ou não tem explicação. Você é o líder do governo”, disse na ocasião o deputado Paulo Delgado (PT-MG), que tentou se colocar como uma opção independente no partido, mais palatável às oposições.

Candidatos
PT, PSB e PCdoB somam 118 votos. José Thomaz Nonô, é sustentado pela aliança PFL-PSDB, com 108 deputados. Tem o apoio informal do bloco PPS-PDT-PV-Prona (39) e deve estar em um provável segundo turno, pois um candidato só vence se conseguir a maioria absoluta dos votos. Ontem, PPS e PDT divulgaram um decálogo com propostas para o próximo presidente. Entre elas, o rigor na apuração das denúncias de corrupção e a implantação do voto aberto para todas as decisões na Câmara, principalmente na cassação de deputados.
O baixo clero, deputados que aparecem pouco no noticiário, se articula em torno de Ciro Nogueira (PP-PI), afilhado político de Severino Cavalcanti. Ciro enfrenta a concorrência de Francisco Dornelles (RJ) no PP. O PL lançou João Caldas (AL) e o PTB, Luiz Antônio Fleury (SP). Dois candidatos concorrem como avulsos: Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Alceu Collares (PDT-RS).

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