domingo, 7 de agosto de 2005

Tensão em ninho tucano

Onda de acusações contra o PT acirra a disputa no PSDB sobre o nome que concorrerá ao Planalto em 2006

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 7 de agosto de 2005 - Os governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin, e de Minas Gerais, Aécio Neves, ensaiam uma aproximação para ampliar sua influência no processo que definirá o candidato do PSDB a presidente da República em 2006. Há seis meses, Alckmin era o franco favorito para a vaga, vitaminado pelos sucessos dos tucanos nas eleições municipais paulistas. Já Aécio caminhava para uma reeleição quase “natural”. O prefeito recém-eleito de São Paulo, José Serra, mirava em 2010. Os cálculos de então previam um Luiz Inácio Lula da Silva muito forte na reta final de seu governo. A volta ao poder não era uma imagem nítida no horizonte tucano. A crise mudou tudo. Não foi só no PT ou na base aliada que a onda serial de acusações trouxe consigo turbulência política e o acirramento das disputas entre caciques. Nada garante que Lula estará fraco em 2006, mas a possibilidade real de subir a rampa do Planalto desarranjou o ninho tucano.Em suas avaliações mais recentes, os chefes políticos do partido afastam cada vez mais a hipótese de o mandato de Lula ser encurtado. E trabalham com o cenário principal de que a crise será resolvida na própria eleição, quando esperam ter o PFL como aliado já no primeiro turno.Para se encaixar no papel de candidato, Aécio esboça disposição de extrapolar as fronteiras do estado. Tem repetido a interlocutores nos últimos dias que o importante é “Minas estar unida”. Uma das maneiras de unir Minas seria com Aécio candidato a presidente, o atual vice-presidente José de Alencar para governador e o ex-presidente Itamar Franco no Senado.Já Alckmin parece ter sentido o golpe da crescente movimentação dos aliados de José Serra. Acelera as viagens pelo país para neutralizar críticas de que seria um político excessivamente “paulista”, e busca a companhia de Aécio. Já foi visto fazendo comentários sobre uma hipotética disputa com Eduardo Suplicy pelo Senado.Os serristas saíram da toca depois do quase empate técnico entre Lula e o prefeito paulistano na simulação de segundo turno do último Datafolha (45 a 41%, com margem de erro de dois pontos percentuais). Serra resiste a abrir mão de dois anos e meio de mandato, mas basta conversar com alguns deputados tucanos, inclusive de Minas, para perceber a animação com a possibilidade de tê-lo como “puxador” de votos no ano que vem.“No máximo em seis meses ele passa o Lula nas simulações de segundo turno”, diz um aliado no Salão Verde da Câmara dos Deputados. Um assalto preliminar na luta interna do PSDB será disputado em novembro, com a sucessão no comando partidário. O atual presidente é o senador mineiro Eduardo Azeredo, atingido pelas denúncias sobre o caixa 2 do empresário Marcos Valério. Os tucanos consideram que o envolvimento dele foi lateral, mas quem o conhece diz que Azeredo está pessoalmente abalado. “Ele teve a reação esperada de um homem íntegro quando é ferido por uma história dessas”, comenta um amigo. Aécio trabalha para emplacar o senador Tasso Jereissati (CE) na presidência do PSDB. A dobradinha Tasso-Aécio é forte, mas enfrenta resistências. Parte do PSDB desconfia de Tasso desde que ele apoiou Ciro Gomes, então no PPS, na eleição de 2002. O problema dos opositores do senador cearense é não ter até o momento um nome à altura para enfrentá-lo.

FHC em São Paulo
Num detalhe, pelo menos, não há novidade alguma. O martelo que vai bater para definir o candidato presidencial está de novo nas mãos de Fernando Henrique Cardoso. Volta e meia aparece o boato de que ele será candidato a governador de São Paulo. Poucos tucanos do primeiro time acreditam nessa possibilidade.O PSDB não tem até agora uma candidatura forte para o Palácio dos Bandeirantes. Mas acredita que o desgaste petista, em conseqüência da crise política, abre espaço para um nome novo disputar a eleição estadual.A definição sobre quem vai enfrentar Lula deve ficar para o começo de 2006, a não ser que a crise se agrave e a situação política fuja ao controle. Eles não consideram isso provável. Esperam ter tempo suficiente para costurar sua própria unidade interna e as relações com segmentos empresariais que tradicionalmente os apoiavam, mas que migraram para Lula em 2002. Fernando Henrique está particularmente ativo nesse nicho específico.

2 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

O Globo, 15 de agosto de 2005

Panorama Político

Ilimar Franci

O dilema da hora

Os partidos de oposição se reúnem hoje para tentar acertar o passo. Os tucanos querem conter o ímpeto dos pefelistas. Para os tucanos não é adequado falar em impedimento do presidente Lula. Mas o PFL só pensa nisso. Seu presidente, o senador Jorge Bornhausen (SC), encomendou a três advogados pareceres sobre a existência de condições constitucionais para iniciar o processo.

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), argumenta que a oposição não pode fugir da crise, mas também não pode ser fonte de crise. Diz ainda que é um erro a oposição adotar como sua bandeira o impeachment, pois um processo para abreviar o mandato do presidente da República só deve ocorrer se este for expressão do desejo da sociedade.

— Há decepção com o governo Lula, mas não existe um clamor pelo impeachment — diz Arthur Virgílio.

Os tucanos, diante das proporções da crise, já trabalham com a expectativa de voltar ao poder em 2006. Isso tornou-se palpável depois da divulgação da pesquisa Datafolha, na qual o prefeito de São Paulo, José Serra, venceria Lula no segundo turno. Para o PSDB, sem prejuízo da apuração das denúncias, talvez esta seja a hora de puxar o freio de mão. Afinal, não interessa a quem pode reassumir o governo federal manter a radicalização atual.

Os pefelistas têm sido mais eloqüentes ao tratar de eventual crime de responsabilidade do presidente da República. Eles não têm a mesma preocupação de evitar um duro enfrentamento. Sua expectativa é a de construir uma terceira alternativa, que rompa com a polarização entre o PT e o PSDB. O acirramento do embate entre petistas e tucanos pode até viabilizar essa candidatura.

Na semana passada, os presidentes do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e do PFL, Jorge Bornhausen, conversaram sobre a construção desse projeto comum. Nos próximos dias um encontro mais amplo será marcado e a idéia é realizar em breve uma manifestação conjunta reunindo aqueles que não querem ver nem o PMDB nem o PFL como força auxiliar de petistas ou tucanos.

Também entre os petistas, a crise está sendo analisado no âmbito da sucessão presidencial. A maioria dos petistas acredita que o partido não pode abrir mão da candidatura de Lula à reeleição. Alegam que por mais fraco que esteja, Lula é o melhor puxador de votos para os candidatos nos estados, para o Senado e para a Câmara.Um grupo de deputados petistas tentou filiar-se ao PV. Eram tantos que foram desestimulados. Os verdes temiam que o partido se transformasse numa dissidência do PT.

segunda-feira, 15 de agosto de 2005 00:15:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Do Blog de César Maia:

PSDB x PSDB

Aécio+Alckmin contra Serra!

E FHC? Quietinho,... esperando !

Da Folha de SP.

Governador mineiro afirma que ninguém concorrerá à Presidência pelo PSDB só porque quer ou por intenções de voto atuais

Pesquisa não garante candidato, diz Aécio

Sem citar nomes, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disse ontem que ninguém será candidato à Presidência em 2006 pelo partido porque quer ou porque as pesquisas atuais indicam.

Segundo Aécio, o PSDB escolherá o candidato com base na "unidade tucana", que ainda precisará ser reafirmada na eleição da nova direção partidária, daqui a três meses.

#Quinta-feira, Agosto 25, 2005

quinta-feira, 25 de agosto de 2005 11:04:00 BRT  

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