sábado, 13 de agosto de 2005

Pacto para as prévias

Após duas reuniões, Anthony Garotinho e cúpula do PMDB selam acordo para candidatura própria, com apresentação dos nomes até 1° de dezembro. O partido quer ouvir 15 mil filiados

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 12 de agosto de 2005 - A cúpula do PMDB e o ex-governador Anthony Garotinho chegaram a um acordo para fazer a prévia que vai indicar o candidato do partido à presidência da República no ano que vem. O pacto foi selado após duas reuniões ontem e deve ser referendado em reunião da Executiva Nacional na próxima semana. O prazo limite para a apresentação das candidaturas é 1º de dezembro e a consulta deve ser feita até 1° de março de 2006. Poderão participar todos os filiados com mandato eletivo ou partidário. É um colégio eleitoral de cerca de 15 mil peemedebistas.
Já pela manhã, antes mesmo de o acordo ser fechado, Garotinho dizia ser “um político disciplinado”. “Vou dar tudo de mim para ser o candidato do partido e acredito que vou ganhar a prévia”, afirmou. “Mas, se perder, apoiarei quem for o escolhido.”
Antes da definição de ontem, Garotinho vinha pressionando o comando do partido. Dizia temer que o PMDB pudesse recuar da decisão, tomada em convenção nacional, de ter candidato próprio à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva. O prazo para os candidatos em 2006 trocarem de partido é outubro deste ano.
O acordo praticamente elimina a possibilidade de o ex-governador tentar a presidência por outra legenda. E lhe garante tempo hábil para tomar as providências legais caso perca a prévia e decida disputar, por exemplo, o Senado pelo Rio de Janeiro. Neste caso, a governadora Rosinha Garotinho teria de renunciar ao mandato até abril, para não tornar o marido inelegível.
Pelo menos mais um peemedebista, o governador gaúcho Germano Rigotto, já manifestou oficialmente o desejo de ir à prévia. Outros nomes cogitados no partido são o presidente do Supremo Tribunal Federal, Nélson Jobim, e o senador José Sarney (AP). Freqüentemente citado, o governador paranaense Roberto Requião disse ontem aos colegas que não é candidato.
O PMDB ganhou três ministros na última reforma ministerial do governo Lula: Saraiva Felipe, da Saúde; Silas Rondeau, de Minas e Energia; e Hélio Costa, das Comunicações. Mas não assumiu compromissos com uma eventual candidatura do presidente Lula à reeleição.

Pré-programa
Na primeira reunião do dia, pela manhã, membros da Executiva, governadores e deputados reuniram-se na presidência do PMDB para receber o pré-projeto de programa de governo elaborado sob a coordenação de Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES no governo Lula. O projeto, que vai ser debatido pela sigla até o final do ano, propõe mudanças profundas na política econômica atual, caracterizada pelo tripé metas de inflação, câmbio flutuante e superávit primário.
Lessa sugere a redução simultânea dos juros e do superávit primário, inclusive a “eventual eliminação” dele. Pede também o controle do fluxo externo de capitais e a “administração do câmbio em um patamar favorável ao equilíbrio das contas externas”. Propõe ainda alguma forma de controle de preços, descrita como “pactuação em torno da estabilidade dos preços”.
O segundo encontro, que bateu o martelo das prévias, foi um almoço na residência oficial do governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz.

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