terça-feira, 9 de agosto de 2005

Garotinho força acordo

Ex-governador do Rio tenta definir com o comando peemedebista data da prévia partidária para escolha do candidato do partido à Presidência — até lá, ele percorreria o país em busca de apoio

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 9 de agosto de 2005 - O comando do PMDB e Anthony Garotinho estão perto de um acordo para convocar a prévia que vai definir o candidato do partido à Presidência da República em 2006. O martelo deve ser batido no almoço que o governador Joaquim Roriz (DF) oferece à Executiva Nacional nesta quinta-feira, na residência oficial de Águas Claras. O mais provável é que a consulta seja oficialmente convocada, mas para o começo do próximo ano.
Os governistas do PMDB resistem à formalização da prévia, enquanto Garotinho gostaria de realizá-la ainda neste ano. O meio-termo de fazê-la no início de 2006 poderia ser aceitável para o ex-governador fluminense, desde que a Executiva abrisse oficialmente o debate interno no partido. Isso lhe permitiria percorrer imediatamente todo o país já como pré-candidato e buscar apoio nas bases para a disputa. O outro postulante já lançado é o governador gaúcho Germano Rigotto.
Nas últimas semanas, Garotinho tem pressionado o PMDB por uma definição. Outubro é a data-limite para troca de partido de quem pretende concorrer a qualquer cargo em 2006. Garotinho tem dito que não pretende cair na armadilha que vitimou Itamar Franco em 1998. Naquele ano, uma tumultuada convenção nacional decidiu, na última hora, não lançar ninguém para enfrentar Fernando Henrique Cardoso. Itamar ficou sem legenda e precisou contentar-se com o governo de Minas Gerais.
“O Garotinho quer começar o processo de escolha, quer deflagrar o debate. É justo que o partido dê essa oportunidade a ele”, afirma o deputado federal Geddel Vieira Lima (BA), um dos líderes da ala oposicionista e membro da Executiva.
As pesquisas têm mostrado o ex-governador empatado tecnicamente em segundo lugar quando o candidato do PSDB não é José Serra. Os aliados de Garotinho apostam que um palanque presidencial competitivo é atração quase irresistível para candidatos a deputado, senador e governador. “Ninguém em sã consciência abre mão de um grande puxador de votos”, diz um peemedebista do Rio.
O agravamento da crise política tem afetado negativamente a resistência da ala governista do PMDB à candidatura própria. Reservadamente, expoentes do grupo mais alinhado com o Palácio do Planalto reconhecem que ficaram “sem discurso”, e que o mais adequado neste momento seria ganhar tempo. O partido tem três ministros: Saraiva Felipe, na Saúde; Hélio Costa, nas Comunicações; e Silas Rondeau, nas Minas e Energia. Mas não assumiu na última reforma ministerial qualquer compromisso de apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006.

Briga pela liderança
Um dia antes da reunião da Executiva, ocorre amanhã o encontro da bancada peemedebista na Câmara dos Deputados para escolher o novo líder. O favorito é o atual interino, Wilson Santiago (PB), que substituiu José Borba (PR) quando ele deixou o cargo, após acusações de que teria recebido recursos do esquema operado por Marcos Valério e Delúbio Soares.
Os oposicionistas ainda tentam unificar-se em torno de um nome alternativo. O grupo de Garotinho gostaria de lançar Geddel, mas ele diz que só aceitaria se fosse para unificar o partido. Outros possíveis candidatos são o ex-governador Paulo Afonso (SC) e o deputado Mendes Ribeiro (RS).
Santiago conta com o esforço discreto do Palácio do Planalto. A escolha do novo líder do PMDB é o primeiro grande teste do ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner. Já o presidente do Senado, Renan Calheiros, tem-se mantido distante da disputa.

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

O Globo, 15 de agosto de 2005

Panorama Político

Ilimar Franco

O GRUPO que comandava o PMDB no governo Fernando Henrique voltou a trabalhar junto na Câmara. Está articulando a volta do deputado Geddel Vieira Lima (BA) para o cargo de líder. Pelo acordo, que está sendo costurado, Geddel não faria oposição nem defenderia o governo Lula.

segunda-feira, 15 de agosto de 2005 00:19:00 BRT  

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