terça-feira, 30 de agosto de 2005

Disputa no ninho

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 29 de agosto de 2005 - Caciques do PSDB estudam adiar a convenção nacional do partido, prevista para novembro. O objetivo é evitar o acirramento de uma disputa interna que pode ameaçar a unidade da legenda, exatamente quando as pesquisas apontam crescimento da intenção de voto em candidatos tucanos à Presidência da República.
A escolha do novo presidente do PSDB divide os chefes da sigla em dois grupos: quem deseja colocar no cargo o senador Tasso Jereissati (CE) e os que buscam uma alternativa mais próxima do prefeito de São Paulo, José Serra.
Tasso e Serra afastaram-se em 2002, quando o senador cearense apoiou Ciro Gomes, do PPS, à Presidência da República. Serra foi ao segundo turno contra Lula, e só então recebeu o apoio oficial de Tasso. O problema político entre ambos nunca foi completamente resolvido.
Agora, Tasso tem a simpatia de tucanos como o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, para comandar o partido no lugar do senador Eduardo Azeredo (MG). Quinta-feira, Aécio foi jantar na casa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e disse ao anfitrião que a sucessão interna será a senha para saber se o partido vai caminhar unido ou esgarçado para a disputa presidencial.

Pesquisas
Aécio, Tasso e outro presidenciável, o governador paulista Geraldo Alckmin, querem um sinal de que a disputa pela vaga para o Planalto em 2006 está em aberto. Querem na presidência do PSDB alguém distante de Serra. Já os aliados do prefeito de São Paulo desconfiam que Tasso na cabeça do partido pode representar a formação de uma frente anti-Serra, para impedir que o prefeito seja candidato à sucessão de Lula.
O potencial de cizânia estimula a busca de soluções, como o adiamento da convenção de novembro. A idéia dos negociadores é definir simultaneamente a sucessão interna e o adversário de Lula. Todos os interlocutores seriam contemplados ao mesmo tempo com sua fatia de poder. Não ficariam dívidas a serem saldadas. Não haveria “restos a pagar” entre os tucanos.
A última pesquisa do Ibope teve efeito imediato na aceleração da agenda tucana. Aliados de José Serra no Congresso Nacional previam que ele levaria alguns meses para passar Lula nas simulações de segundo turno. Mas a ultrapassagem de nove pontos (Serra 44% x Lula 35%) aguçou o apetite dos serristas e acendeu a luz vermelha nas hostes de Alckmin e Aécio.
Amigos do prefeito ficaram particularmente felizes com a vantagem entre os mais pobres (45% a 38% na faixa até um salário mínimo, 46% a 36% nas classes D e E). Em conversas reservadas, Serra tem afirmado que não deseja se candidatar, pois precisaria deixar a prefeitura com mais de dois anos e meio de mandato a cumprir. Ele tem pedido prudência e dito que a eleição ainda está indefinida. Os tucanos avaliam que o entendimento Serra-Alckmin é chave para enfrentar competitivamente a eleição do próximo ano. Feridas abertas em São Paulo seriam campo fértil para uma derrota eleitoral.

1 Comentários:

Blogger Alon Feuerwerker disse...

Folha de S.Paulo, 1 de setembro de 2005

Serra e Alckmin disputam comando do PSDB

CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Depois de duelar por espaço no programa eleitoral gratuito, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito José Serra estão prestes a protagonizar outra disputa -pelo comando nacional do PSDB.
Segundo tucanos, Alckmin tem articulado a eleição do ex-governador Tasso Jereissati (CE) para a presidência do partido. Antigo desafeto de Tasso (que se recusou a apoiar sua candidatura à Presidência em 2002), Serra tem resistido e argumentado que é preciso buscar um nome de consenso.
Para ele, não há razão para "ansiedade". Apenas afastado da presidência nacional do partido, Serra não é autor da proposta. Mas seus mais fiéis aliados, como o deputado Jutahy Magalhães (CE) e o secretário Andrea Matarazzo, são simpáticos à idéia de adiamento da eleição do novo presidente do PSDB -aquele que conduzirá a escolha do adversário do presidente Lula em 2006- de novembro para março do ano que vem.
O argumento é que a eleição precipitará uma fissura interna. Daí a proposta de a nova Executiva Nacional ser escolhida na mesma época em que o candidato do partido à presidência do PSDB. O problema é que, nesse caso, o próprio Serra conduziria o processo de escolha do candidato do PSDB à Presidência. Além desse embate, a disputa por tempo no horário eleitoral deverá se repetir no mês que vem, já que o programa do partido vai ao ar em novembro.
Serra rejeitou ontem, em entrevista, a expressão "alfinetada". Mas elas têm sido cada vez mais constantes entre os dois. Segundo tucanos, cresce a desconfiança entre Serra, Alckmin e o próprio Fernando Henrique Cardoso.
A seus interlocutores, Alckmin tem se queixado da diferença entre o discurso e a prática de Serra. Ele condena o fato de o prefeito negar a disposição de concorrer à Presidência, mas se articular para a eleição. Pela lógica de Alckmin, qualquer candidato com 10 dias de exposição no programa de TV poderá enfrentar o presidente.
Serra reclama do perfil de Alckmin no plano administrativo, menos agressivo do que esperava na edição de uma parceria em São Paulo. Alckmin tem reagido mal às cobranças do prefeito e lembrou, em entrevista, que Serra assumiu um compromisso de governar a cidade. Um dos principais articuladores de Serra, Jutahy disse que "todas as candidaturas de oposição da história nascem da vontade popular". "Não é exclusivo. Mas as pesquisas terão um peso muito importante para a escolha do candidato", disse Jutahy.
Como se não bastasse, Serra e Alckmin supõem que FHC esteja entusiasmado com a idéia de concorrer. A excitação é tanta que ontem o governador de Minas, Aécio Neves, procurou Serra para um "freio de arrumação". A idéia é fixar regras para o partido. "Não vamos negar que os problemas existem. Mas vamos estabelecer critérios. Primeiro, não há vetos a nomes para presidência [do partido]. Segundo, o candidato só será escolhido no ano que vem".
A busca de um acordo tem o patrocínio de FHC. O presidente tem alegado que, mantido o cenário, no início do ano que vem qualquer um dos quatro nomes do PSDB estará em condições de disputar com Lula. Mas que os demais terão que se resignar se ficar provado que Serra é quem mais oferece riscos à reeleição de Lula. "Temos um entendimento, um consenso entre nós de que essa definição ocorrerá no início do ano que vem", disse Aécio.

quinta-feira, 1 de setembro de 2005 11:10:00 BRT  

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