sábado, 13 de agosto de 2005

36 horas de tensão

Lula optou por discurso na noite de quarta-feira, depois de ser avisado sobre ida de Duda Mendonça à PF

Oswaldo Buarim e Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 13 de agosto de 2005 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva soube desde a noite de quarta-feira que tinha chegado a hora de dizer algo mais consistente sobre a crise que envolve o governo. Foi quando recebeu um telefonema do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Ali, Lula tomou conhecimento do teor das declarações do publicitário Duda Mendonça, que depunha na Polícia Federal. Soube que Duda havia revelado todos os detalhes: caixa 2 na campanha de 2002, pagamento em paraísos fiscais e participação de Marcos Valério.
Foi informado, ainda, que seu marqueteiro iria espontaneamente no dia seguinte à Comissão Mista Parlamentar de Inquérito dos Correios para depor junto com sua sócia Zilmar da Silveira, convocada pela CPMI. Esta informação foi imediatamente retransmitida por Bastos ao presidente da comissão, o senador Delcídio Amaral (PT-MS).
O texto final foi escrito a quatro mãos pelo ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci, e pelo porta-voz e secretário de Imprensa, André Singer. Foram também consultados os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, das Relações Institucionais, Jaques Wagner, e da Casa Civil, Dilma Roussef. Os auxiliares do presidente insistiram para que ele fizesse críticas diretas a acusados, dissesse que foi traído e pedisse desculpas. “Eu me sinto traído” e “nós temos que pedir desculpas” foi o máximo que arrancaram.
Ontem, a entrevista do presidente do Partido Liberal, Valdemar da Costa Neto, à revista Época fez acrescentar mais um detalhe ao discurso. Valdemar disse à revista que a aliança entre o PT e o PL em 2002 foi fechada sob o compromisso de o PT dar ao PL R$ 10 milhões para ajudar nas campanhas dos deputados liberais. Entrou no texto: “Perdi três eleições e ganhei a quarta, mantendo-me sempre fiel” ao ideal de “mudar as práticas políticas, moralizá-las e tornar cada vez mais limpa a disputa eleitoral no nosso país”.

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